Os fundamentos da ética são o sentir e a vontade. A partir do momento em que um eu sente, surgem nele as evidências do bem e as evidências do mal, ao que se juntam a vontade de querer o bem e de não querer o mal, e o imaginar de um dever ser assim e de um não dever ser assim. É nesse momento que começa a ética. É nesse momento que nascem o dever ser e o não dever ser assim, foi aí que nasceu o dever. Mas o que é o dever?
O dever é uma entidade potencial, um modo bom ou mau como os factos poderiam ser, embora por vezes os factos se consumem de tal modo que afirmamos que foi como deveria ter sido, o que significa uma actualização da potencialidade e, portanto, que o dever não é sempre uma entidade potencial mas também uma entidade actual. De outro modo, o bem e o mal não se actualizariam. O dever é um modo bom ou mau como os factos são ou poderiam ser.
Mas será que os factos poderiam ser de outro modo? É impossível sabermos se o mundo poderia ser de outro modo, ou se tudo o que existe, existe necessariamente como existe… Mas ainda que tudo exista necessariamente, impõe-se ainda a questão de que as coisas deveriam ou não ser de outro modo. Tudo isto porque podemos sempre imaginá-las de outro modo, bom ou mau. O dever é sempre de bem ou de mal. Mas não deveria ocorrer sempre o bem?
Num mundo perfeito ocorreria o bem e não o mal, e o bem seria intuído como bem ainda que o seu contrário não existisse. Mas, no nosso mundo, o bem e o mal encontram-se misturados, ocorrendo ora um, ora outro, umas vezes como deveria e outras como não deveria ser.
O mundo nem sempre é justo e nem sempre é injusto, embora possamos imaginar que para alguns eus seja justo e, para outros, injusto. Na verdade, o que ocorre no eu, é sempre justo ou injusto, na medida em que é sempre sentido como bom ou mau, e é merecido ou imerecido.
Mas um mal merecido para uns é um bem merecido para outros, e o dever, como é humanamente estabelecido, é pela prevalência do bem sobre o mal. Isso não significa que sabemos se no mundo prevalecerá o bem ou mal, quer dizer, se no fim de contas haverá mais quantidade de um do que de outro.
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