O belo é
atraente e o feio é repulsivo. Sentir beleza gera uma sensação de prazer e
sentir fealdade gera uma sensação de desprazer. Tanto uma como a outra podem
provir do interior como do exterior, da mente ou dos sentidos, das ideias ou
dos sentires. Quando alguém se sente atraído pelo comumente aceite como feio, é
porque o acha belo. Para esse eu, esse objecto é belo. E ninguém pode afirmar
que para ele o objecto não é belo. É belo, gera atracção, gera sentimento de
prazer – é bom e desejado. É feio, gera repulsa, gera sentimento de desprazer –
é mau e indesejado. A apreciação estética do belo e do feio é, se a
destrinçarmos, uma apreciação ética, de algo como bom ou mau. Tudo isto é
instintivo.
Mas o bem e
o mal são diferentes do belo e do feio. O mal extremo, por exemplo, implica
risco de vida e o feio extremo não. Um bem pode implicar um sentimento de
desprazer para que depois haja um sentimento de prazer maior, e o belo nunca
implica um sentimento de desprazer, é sempre um sentimento de prazer. Por isso,
o bem e o mal, e o belo e o feio não são a mesma coisa. O belo e o feio são
como que simulacros de bem e de mal. Embora o mal possa ser representado de
forma bela, e portanto esse belo ser um simulacro do mal. Por isso, o belo e o
feio não são como que simulacros do bem e do mal. A única ligação que parece encontrar-se
entre eles é a ligação instintiva (bom e belo; mau e feio), e a tendência do eu
para o bem e para o belo, a vontade de bem e de belo, e a desvontade de mal e
de feio.
Num mundo eticamente
perfeito, certamente que não existiria maldade mas… Existiria fealdade? Não.
Num mundo eticamente perfeito tudo seria bom e belo. A fealdade é um mal:
ninguém gosta de ser feio por dentro ou por fora, ninguém gosta de uma obra de
arte feia, e ninguém gosta de uma paisagem feia. E num mundo eticamente
perfeito não existiriam o não gostar nem o sentimento de desprazer que provoca, mas apenas o gostar, o prazer, o
belo e a felicidade. Mas o belo e o feio, e o bem e o mal existem apenas nos eus. O bem é belo e o mal é feio – outra ideia instintiva. Na
natureza, sabemos que existem objectos belos mas maus, e objectos feios mas
bons. Na natureza, nem tudo o que é belo é bom e nem tudo o que é feio é mau. Na arte, não: tudo o que é belo é bom e tudo o que é feio é mau. Mas parece que estamos a falar de bons e de maus diferentes.
Considerar um eu bom, por exemplo, é considerá-lo bondoso, enquanto considerar um obra de arte boa, não é certamente qualificá-la de bondosa! Pode ser considerada boa por variadíssimas razões, mas a última razão devia ser a de que provoca um sentimento de prazer em quem a observa. Do mesmo modo, devia ser considerada má a que provoca um sentimento de desprazer em quem a observa. Em última instância, interessam os sentimentos de prazer e de desprazer no eu, tal como na ética. Mas na ética o outro é um eu e na arte o outro é uma obra de arte. Qualquer eu tem mais importância do que qualquer obra de arte. Por isso, os objectos da ética - o bem e o mal no eu, por exemplo - são mais importantes do que os objectos da estética - o belo e o feio, por exemplo.
Considerar um eu bom, por exemplo, é considerá-lo bondoso, enquanto considerar um obra de arte boa, não é certamente qualificá-la de bondosa! Pode ser considerada boa por variadíssimas razões, mas a última razão devia ser a de que provoca um sentimento de prazer em quem a observa. Do mesmo modo, devia ser considerada má a que provoca um sentimento de desprazer em quem a observa. Em última instância, interessam os sentimentos de prazer e de desprazer no eu, tal como na ética. Mas na ética o outro é um eu e na arte o outro é uma obra de arte. Qualquer eu tem mais importância do que qualquer obra de arte. Por isso, os objectos da ética - o bem e o mal no eu, por exemplo - são mais importantes do que os objectos da estética - o belo e o feio, por exemplo.
Sem comentários:
Enviar um comentário